Habitantes!

13 de agosto de 2009

Afinidade!


Afinidade
Arthur da Távola

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial. Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.

5 comentários:

Jamylle Carvalho disse...

Adoreeei esse lugar aqui!
;)

Elga Arantes disse...

Puxa vida, menina, há muito tempo que não lia um texto que me identificasse tanto.

O melhor dessa história é que a afinidade é instantanea, também. Você não precisa de tempo para saber se é amor, se é amizade, se é o caralhaquatro, né?

Eu não conhecia, não. Mas agora, não esqueço. Já è um dos meus textos favoritos.]

Um beijo.

Thaís Gomes disse...

Jamylle, que bom que gostou do meu mundo, aliás, nosso!

Elga, nem preciso dizer que amo esse texto, né? É do mesmo autor de "Coisas que a vida ensina depois dos 40", que vc tb gostou!

Beijos

davi disse...

e é o q temos né gataaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!

bjo

Mary disse...

Texto maravilhoso.. postei no meu blog...coizademulher.blogspot.com